“Marley & Eu” e Eu

30, Agosto, 2007

Terminei agora de ler este livro, que foi o mais emocionante que eu já tive a oportunidade de ter lido. É a história de um cão labrador amarelo cujo dono era o autor do livro, John Grogan, onde ele dizia que Marley, o cachorro, era o pior cão do mundo.

Com sua hiperatividade aflorada nos primeiros anos de sua vida, destuía sofás, engolia jóias, rasgava a tela da porta, roubava comida dos pratos das crianças, era imune a adestramentos e chegou até a ser expulso pela adestradora por tê-la humilhado publicamente, mas acima de tudo era amado por toda a família de Grogan.

Eu simplesmente me deixei levar pela história de Marley, pois gosto muito dos cães, principalmente os grandes, que foram meus companheiros desde que tinha 11 anos de idade, em 1994: Thomas, Léo, Ted, Dara, Desprovida de Alcunhas, Thomas de novo, aposentado do cargo de cão de guarda e retornando pra casa, e finalmente, por dois dias, Leônidas.

Essa história me comoveu muito nos capítulos finais, onde Marley já velhinho sempre dava novas provas de amor e lealdade aos seus donos, fazendo com que sua morte fosse profundamente sentida por “sua família”, e ele, através do livro fez com que fosse sentida da mesma forma por mim, arrancando-me lágrimas às ondas, a cada parágrafo que eu lia, demonstrando o quão envolvido eu estava com a história.

Após a morte de Marley, no livro, Grogan comentava que através dele, mesmo sendo tão travesso, destruidor e engolidor de objetos e ladrão de comida, pôde descobrir, por todos os momentos que passaram juntos e a falta que ele fez quando se foi, o que é o amor incondicional, e foi exatamente aí que eu desatei a chorar copiosamente, por ter me lembrado de como foi sentir o mesmo por alguém e ser forçado a parar de senti-lo, sem sucesso. Mas isso não se adapta muito bem ao caso aqui… 

Também, ao terminar de lê-lo, pude perceber que estou ficando cada vez mais sentimental, emocionável e humano, uma coisa que passei a suspeitar após ler meu último livro antes de “Marley & Eu”, “À Espera de um Milagre”, de Stephen King. Também me emocionei ao final da narrativa, na parte em que John Coffey é levado à cadeira elétrica. Nunca imaginei que uma leitura me faria chorar como fez hoje, e é com livros tocantes como esses que reconheço que a leitura é muito importante pra mim, e que tem o poder de fazer de momentos entediantes fantásticos e inesquecíveis.

Tudo o que faltou dizer sobre esta magnífica obra é “leiam-na”.

Acessem o site do livro, e assistam abaixo as cenas do filme “A Última jogada”, do qual Marley participa!

 


Sangue!!!

30, Agosto, 2007

Hoje, na universidade, houve uma campanha para doação de sangue. Eu recebi o e-mail com a notícia há uma semana atrás e desde então havia decidido que colaboraria. Planejei como deveria ser minha viagem até o lugar carinhosamente conhecido como “Área Norte-Norte”, que seria algo como a extremidade do campus, o local mais lingínquo para ir-se caminhando. As atividades de coleta sangüínea começavam às 8 horas da manhã, e eu tinha uma aula de Química às 10. Então, como marinheiro de primeira viagem, chutei que chegando na USE (Unidade Saúde-Escola), o local onde eram realizadas as doações, às 9 horas, daria tempo suficiente para que eu chegasse a tempo pra tal aula. Então, ontem à hora de dormir programei o despertador para às 8, sendo que sem precisar de seu auxílio acordei às 7 e não consegui mais pegar no sono. Levantei-me, tinha tempo, fui tomar um banho pra me curar da sonolência que me tomava. Normalmente desperto uma hora antes do início dos meus compromissos dicentes, e chego sempre no horário exato. Desta vez acordei duas, logo me sobrava um tempo enorme. Saí de casa bem antes do horário que previra, chegando perto das 15 pras 9 na USE, onde fui recebido com uma saudação carinhosa:

-Você vai doar, moço?

-Sim – Respondi prontamente à gentil senhorita que furava os dedos dos doadores para a primeira análise, onde se determina o número de glóbulos (não sei qual deles, exatamente) contidos em certa unidade de volume de sangue.

-Então pega sua senha e aguarda sentado aí.

Sem hesitar, fiz o que a moça pediu-me  e aguardei para ter meu imaculado dedo anelar perfurado.

-Número Cinqüenta e Sete!

Era o meu. Levantei e fui até a gentil senhorita, que pareceu realmente mais gentil agora e me acalmou dizendo que a “sujeira” azul que impregnava suas luvas de pelica era cera. Simplesmente cera. Bom, eu estava calmo, mas a gentil senhorita me disse essas palavras olhando diretamente nos meus olhos, como se eu estivesse a ponto de explodir em nervos ao menor sinal de irregularidade no processo, talvez até correndo o risco entrar em choque caso ela não tentasse me acalmar com palavras tão brandas.  Ela pegou minha mão direita, em seguida abriu uma espécie de estilete cuja lâmina não tinha uma extensão maior do que 3 mm, e com ele furou a ponta do meu anelar sem dó!

Baixando o nível, doeu pra caralho!

Bom, o processo continuou, e vou parar de me ater aos seus detalhes intermediários… só vou dizer pelo que passei de forma rápida, pra chegar logo aos finalmentes.

1-) Furaram meu dedo e colheram uma pequena amostra do meu sangue, que ao contrário do que  realmente pensei, não era azul… Droga…

2-) Fiz um cadastro, preenchendo com meus dados pessoais

3-) Mediram a minha pressão, que estava a 13 por 8, considerada normal.

4-) Fui inquirido sobre diversos temas, como sexo, drogas -Rock n’ Roll não- álcool, remédios, problemas de saúde etc.

5-) Finalmente, fui carregando a bolsa plástica onde meu sangue em breve entraria até o local onde havia as máquinas de coleta. Essa parte foi estranha. Eu estava afoito e curioso para saber como funcionava essa parte, e ficava me movendo sobre a maca para olhar a maquininha trabalhando, levantando a cabeça e virando de lado, olhando para baixo, apenas observando.  Quando olho para a mulher que introduziu a agulha em minha veia e ela também estava me olhando, e me disse pra encostar a cabeça na ponta inclinada da maca e relaxar. Algo devia estar errado com minha aparência nesse dia, pois das duas vezes que alguém mexeu com meu sangue, de alguma forma notaram alguma inquietação que eu não tinha, muito menos demonstrava, ou pelo menos pensava que não. Bem, ao final da coleta, a máquina apitou e a mesma moça veio retirar a agulha. Pediu que eu segurasse um pedaço de algodão sobre o pequeno ferimento que se abrira na minha pele, apertando-o com força. Ok, tudo feito, ela esperou um tempo e trouxe um daqueles band-aids redondos, e o colou onde ainda sangrava um pouco. Pediu-me que me sentasse sobre a maca, e assim o fiz. Notei que meu telefone celular não estava comigo, e procurei em volta, virando a cabeça para ambos os lados da maca, tentando ver se ele estava no chão. Não estava, mas quando a enfermeira me viu com a cabeça rodando e me inclinando para olhar em baixo da maca, numa inclinação mais íngreme que eu fiz ela veio correndo me acudir, pensando que eu estava grogue e caindo cama de hospital que tinha por volta de um metro de altura. Mas não era nada disso, obviamente. Ela me perguntou como eu me sentia, e respondi que eu estava normal, cem por cento, e falei a mais pura verdade. Então, temerosa, ela me liberou para comer um lanche, tomar suco e essas coisas que todo doador brasileiro recebe como recompensa pela doação. Nos EUA recebem grana, aqui é um lanche, muito gostoso até, doces, salgados, bolachas, sucos, bolos (tinha até de cenoura com cobertura de chocolate, matei a saudade!!), mas eu preferia a grana…

Meu celular estava na mesa do senhor que me entregou a bolsa plástica com as etiquetas, e foi fácil achá-lo ao sair. Ainda bem que ninguém o havia roubado. Porém, como nada sai da forma como planejo, saí de lá às 10 e 30 e cheguei na aula às 15 pras 11, bem atrasado.


Eu Fico Puto/Um Dia de Fúria

18, Agosto, 2007

Vou contar aqui uma história que durou menos de duas horas, mas que serviu pra estragar as outras doze, tirando as que eu tive de sono, desse sábado.

Esse é o primeiro fim-de-semana que eu estou passando na cidade de São Carlos, onde passei a estudar desde o começo do ano. Resolvi ficar por aqui por estar de saco cheio de viajar, pegar três horas de estrada pra voltar pra Jundiaí, cidade onde nasci e vivo desde então, chegar lá e ficar sem fazer nada. Queria testar o fim-de-semana sancarlense, então comecei, ontem, a procurar atividades interessantes para fazer por aqui. Começando pela sexta-feira à noite, minha idéia era ir até o cinema, no shopping center da cidade, assistir a’Os Simpsons, que estreava no Brasil todo. No entanto, uma mudança de planos enquanto eu tirava xerox de uma apostila na papelaria da faculdade: Comprei por R$3 um convite para o show dos Beatles Cover no CAASO, o centro acadêmico da USP-São Carlos, que começava às 23 horas. Beleza! Um showzinho de Rock n’ Roll sempre é bom. E foi mesmo, apesar de enfrentar uma longa e quase inerte fila, no final valeu a pena. E como! Saí de lá às 4h 30min da madrugada, curti o som que eu gosto e ainda tomei cerveja pra caramba. Meu fim-de-semana não poderia ter começado melhor. Mas nem tudo são flores na vida de Joseph Klimber. Hoje acordei às 16 e 30, um belo período de sono pra quem foi deitar-se às 5 horas. Meus planos para este sábado eram comprimidos em uma simples e solitária tarefa: assistir ao filme d’Os Simpsons.

Fui até o PC, conectei a internet, entrei no site do shopping e vi os horários. Eram quase 17 horas e havia sessões às 19 e às 21. Como não tinha comido nada desde às 22 e 30 do dia anterior, antes de ir ao show, estava morrendo de fome. Então, fui até a geladeira, vi o que tinha, peguei uma panela e coloquei nela um pote de arroz, para descongelá-lo. Acendi o fogo, e para não queimar o arroz, coloquei um pouco de água. Foi aí que vi as formigas boiando dentro da panela. Foi a primeira coisa que deu errado no meu dia, e eu só estava acordado havia meia hora. Joguei fora o arroz e peguei outra panela, tomando cuidado com mais formigas, mas dessa vez não havia nada. Novamente pus um pote de arroz congelado, acrescentando feijão e carne, também congelados, com a mesma quantidade de água que tinha posto na primeira tentativa. Deu certo, e ficou gostoso. Mas era muita comida, e comi devagar porque estava quente. Quando acabei, vi que não tinha mais como eu ir até o shopping pra pegar a sessão das 19 horas, a não ser que fosse de ônibus, pois a caminhada até lá leva quarenta minutos. Mas eu não tinha um real sequer na carteira, e a passagem custa R$2,10. Nesse meio tempo, meu amigo Diego, de Jundiaí, não sabendo que eu estava longe de casa, me liga convidando para ver outro show de uma banda de Rock que eu já queria assistir havia muito tempo, em São Paulo, e amaldiçoei minha decisão de ficar em São Carlos justamente nesse fim de semana. Ontem, quando saí do show, até pensei em ir até a rodoviária e comprar minha passagem pra este sábado de manhãzinha, mas desencanei e resolvi ficar por aqui mesmo.

Bem, voltando à história, só me restava agora ir na sessão das 21, e chegar um pouco antes a fim de dar tempo de passar no caixa eletrônico. Mas agora eu tinha tempo de sobra, então fiquei assistindo um pouco de TV. Nada de interessante, era mais pra passar o tempo mesmo. Quando deu 19 horas, tomei um banho e em seguida me vesti, e saí de casa a pé às 19 e 50. De acordo com medidas anteriores, calculei que chegaria no shopping às 20 e 30, e estava certo. Mas tive que ir a passos rápidos,  por medo de estar errado e chegar lá em cima da hora. Cheguei todo suado no shopping, a testa escorrendo, a respiração acelerada, e ainda tinha que correr até o caixa eletrônico, que eu não sabia onde ficava. No caminho até ele, vi que a fila pro filme era enorme, então, por medo de que já estivessem esgotadas as entradas, resolvi mudar de rumo e em vez de ir até o caixa eletrônico, compraria com o cartão de débito do banco. Fui até a vendedora, sem hesitar.

-Boa noite moça, ainda tem entrada para Os Simpsons?

-Tem sim. – respondeu a moça enquanto já digitava os comandos em seu computador para que a entrada fosse impressa.

-Então vê uma pra estudante – retruquei entregando-lhe a carteirinha da faculdade e o cartão do banco, feliz por ouvir a notícia de que ainda havia entradas.

-A gente não passa cartão, moço… – Como eu odeio essa frase!

-Ah, certo. E onde fica o caixa eletrônico? – Perguntei.

-Fica lá fora, saindo pela entrada principal.

-Ok, Obrigado!

Saí correndo pra procurar o caixa do Bradesco, e quando passei pela porta, saindo do shopping, já o avistei, junto com os terminais do Banco do Brasil, do Itau e aquele escrito Banco 24 horas que  atende mais de 40 outros bancos. Não tinha fila, então fui logo entrando no do Bradesco mesmo. Quando olho na tela, a mensagem “Este terminal está em manutenção. Não insira seu cartão…” estava na tela, em preto, dentro de um retângulo amarelo, que por sua vez estava dentro de uma tela cinza. Então pensei “Puts, será que meu banco é atendido pelo “Banco 24 horas”?”. E fui até lá pra ver. “Sim! Beleza!”, disse em voz alta. Quando passei pela porta, outra mensagem maldita: “Este terminal está indisponível”, ao lado de um ícone estúpido de exclamação, igual esses do Windows. Aí aquele sonzinho de “PAN!” vinha na minha cabeça como um sinal de que tudo havia ído para o brejo. E eu comecei a ficar puto porque, porra, no fim das contas eu já tinha andado 40 minutos a pé e teria que andar mais 40 pra voltar, porque ainda não dava pra pegar ônibus!

Então tive uma idéia genial: “Vou até o McCâncer, peço alguma coisinha pra beber, pago com o cartão, mas falo pra mocinha do caixa cobrar mais uns 10 reais e me devolver o troco! Tão simples que eu já devia ter feito isso!”. Mas eu chego lá e, antes que o fizesse, preferi me certificar que tal operação era possível, perguntando-a. E infelizmente não era. Merda. Fui procurar, no entanto, outro estabelecimento que tivesse um volume grande de dinheiro movimentado pra ter mais chances de que uma operaçãozinha não-padrão como essa pudesse ser executada, ou ao menos camuflada no meio de tantas outras compras. Logo, fui ao supermercado! Idéia mais genial ainda! Mas também recebi um “Não dá!” como resposta. A próxima genialidade tinha uma propabilidade enorme de dar certo: eu iria até algum consumidor que estivesse na fila do caixa de algum restaurante, me ofereceria pra pagar a janta dele com o meu cartão em troca do dinheiro que ele iria usar. Tão simples, mas ao mesmo tempo tão inútil: O filme já tinha começado. Só xinguei mentalmente o cinema, o banco e o teminal 24 horas. De quem era a culpa de eu não ter conseguido ver o filme? Do cinema, dos terminais em manutenção ou minha mesmo, por não ter voltado pra Jundiaí?

Pra não perder a viagem, fui perambular pelo shopping pra ver se tinha algo interessante, e uma exposição de motos antigas estava lá pra salvar a noite. Mas o lugar era barrado, então só se podia vê-las de uma distância um pouco desfavorável. Devido a isso, terminei de ver tudo aquilo em cinco minutos, e não tinha nada mais de interessante pra fazer por lá. Então, voltei ao McCâncer e comprei um lanche com um suco de laranja, porque afinal de contas, ainda não tinha tomado água pra repôr o que eu perdera na caminhada. Quando recebi o lanche, peguei a bandeja e fui procurar um lugar para sentar e comer tranquilamente enquanto a raiva passava. Mas não tinha onde sentar. Tudo lotado! *aralho! Fiquei esperando pra ver se alguém desocupava, e um sujeito na mesma situação pôs-se ao meu lado, fazendo a mesma coisa. Quando vi um casal se levantando, notei que a menina era uma conhecida minha de Jundiaí, e o sujeito FDP foi caminhando para o lugar que se desocupava, enquanto eu já pensava em ir até o McCâncer pela terceira vez, agora para pedir que embalassem minha comida (se é que se pode chamar aquilo dessa forma) pra viagem. Só não briguei com o sujeito espertinho oportunista por causa disso. Então embalei o lanche e fui embora daquele lugar. Quando finalmente saí por um portão que dava para um ponto de ônibus, e pensava que tudo o que tinha pra dar errado já tinha dado, chegava um que passaria pelo bairro onde moro, mas eu não poderia pegá-lo por não ter dinheiro vivo comigo. Queria jogar pro alto tudo o que eu carregava e dar um grito de raiva, e aí foi quando pensei que escrever isso no Astrolabia poderia ser um pouco divertido, embora ainda tivesse que caminhar no mínimo 40 minutos, mas dessa vez fui com passos mais leves e devo ter levado quase uma hora. Bem, cá estou, finalizando este post às 23:58, nos dois minutos remanescentes deste sábado que eu quero esquecer que passei. Só gostaria de terminar a postagem do mesmo jeito que comecei, então aí vai!

Eu Fico Puto!

Um Dia de Fúria


Engraçado…

16, Agosto, 2007

O que é que acontece quando o que você faz é elogiado por muitos, menos por você? Foi o caso dessa poesia que escrevi anteriormente a esta postagem. Em certos momentos eu me sinto poeticamente inspirado a fazer algo do tipo, e no entanto, quando faço, vejo que não ficou do jeito que eu esperava e acabo descartando. Antes desta última chegar à forma como foi publicada, passou por muita modificação, e mesmo assim achei que ela não diz tudo o que eu gostaria. Mas foi elogiada, e acho que é isso o que importa. Certa vez li uma frase que pensava até hoje ser do José Saramago (que infelizmente ainda não posso atribuir-lhe adjetivos, pois não li nenhuma obra sua, mas tratarei de fazê-lo assim que possível), onde o autor afirmava que só publicando um livro é que o escritor se livra dele, senão lhe parece que nunca está bom, e não se pára de alterá-lo. Acho que aqui funcionou do mesmo jeito. Ou então os elogios não foram sinceros. Mas como confio na capacidade de quem leu e gostou, prefiro aceitar a primeira hipótese.

Talvez eu não devesse ter publicado uma poesia tão crua e direta, pois foi essa a crítica à qual a submeti, e sim criado maiores floreios, me preocupando mais com a beleza dos versos, combinando o som suave de palavras mais belas que tivessem um significado menos pontiagudo, por assim dizer. Mas é claro, um autor sempre considera alguma de suas obras mais “prima” do que as outras, mas conquista elogios por todas elas. Definitivamente, essa poesia não foi uma obra-prima, mas por ter sido a segunda que eu fiz em toda a minha vida, acho que merece que eu lhe confie algum valor.

Na verdade, escrevi tudo isso pra dizer que a terceira está no porvir. Acho que, com os versos que eu já pensei, vai ficar mais bonita, mais agradável, tenra, doce… mas sem viadagem, ok?


Um, dois

12, Agosto, 2007

Tornou-se tortura
O que antes eram volúpias
Camarote da clausura
Do amor de milhão de rúpias

Um passo de léguas infinitas
(bem sei, culpa minha)
profundamente palpita,
anima, porém nunca definha!

Hei de reviver suas nuances?
Eternamente de seu olhar desejoso
Sobrevindo as dadas chances
Das quais sempre receoso.

Luís Renato


Essas descobertas…

8, Agosto, 2007

Do Terra-Notícias:

Um grupo internacional de cientistas detectou vapor d’água na atmosfera de um exoplanetas (planetas externos ao sistema solar) e que está há cerca de 60 anos-luz da Terra.

Isso não é nada. No dia que descobrirem um jeito de trazer essa água pra Terra é que eu vou ficar impressionado.


Por que Física?

4, Agosto, 2007

    Muita gente com quem converso tem me julgado maluco ultimamente, ou melhor, depois que comecei a cursar Física na universidade. Parece meio absurdo, mas quase toda a minha família passou a me olhar diferente. Minha avó, que nasceu no campo e foi dona de casa pelo resto de sua vida, quando foi conhecer o campus, me disse que eu me sairia bem nesse curso por eu ter um porte atlético e gostar de nadar… Não que eu tenha realmente esse “porte”, isso foi corujice dela, mas realmente gosto de praticar esporte, só que não foi bem essa a Física que eu escolhi.
Algumas pessoas mais esclarecidas fazem outros comentários, e é aí que vem a parte chata. Não consigo lembrar de um só que não tenha dito “Nooossa! Você é louco!”. Quando me dizem isso eu fico até constrangido, querendo retrucar com um “Louco? Não. Você que é burro!”, mas simplesmente emudeço pra não causar transtorno, ainda mais se for algum familiar. É por mentalidades como essas que hoje no Brasil haja tão poucos físicos, e ainda assim quem se forma corre um risco sério de não conseguir emprego na área e acaba “escorrendo por outros ralos”. Isso de haver poucos pode ser até um ponto positivo, pois daí se vê que só os apaixonados pela ciência é que buscam construir suas vidas em torno dela, seja na área de pesquisa, mesmo que fraca no Brasil, ou na área de ensino.
A Física, ao meu modo, é quase uma arte. Decidi por estudá-la por razões até filosóficas. Eu, quando estudava engenharia, tinha um sonho que era o de poder deixar no mundo uma coisa que eu tivesse criado e fosse conhecido por essa contribuição. Mas com o passar do tempo, vi que não me importaria em nada em ter ou não meu nome citado nas mídias. Percebi que sendo professor, poderia legar ao mundo a maior preciosidade que se pode ter, que é o conhecimento. Mas não é somente daí que provirá minha satisfação, mas aí já é outra história que conto depois (Se alguém quiser refletir, tente combinar minha decisão com questões sociais.).
É comum ver na TV a imagem do físico como cientista louco, inventor de máquinas mirabolantes, estereotipado naquela famosíssima fotografia de Albert Einstein olhando para a câmera com os cabelos brancos revoltosos e com a língua de fora. Acho que é daí que vem esse tipo de preconceito bem-humorado (que não é melhor por conta disso) contra os estudantes de física que são taxados doidos. E isso, por mais que seja em tom de brincadeira, dá nos nervos de todos eles (me incluindo).

 

 

 

 

    Bom, vou finalizar a postagem por aqui. Tenho que construir minha bomba H.