Justificativa – Parte 2

24, Setembro, 2007

Bom, como não consegui tempo livre nem tempo bom pra tirar fotos dos astros, pois nestes dias que se passaram o céu estava muito poluído, prejudicando bastante as observações, e eu estava muito atarefado com minhas atividades estudantis, vou postar aqui o que eu deveria ter feito. Como outras pessoas já fizeram, vou roubar as fotos e postá-las.

Então, melhor explicando, “o que eu deveria ter feito” é a chamada MARATONA MESSIER, que consiste na observação do maior número entre os 109 corpos celestes do catálogo Messier numa única noite (de céu noturno limpo, de preferência em lua nova). Entre tais objetos estão nebulosas, galáxias, aglomerados estelares e várias outras categorias de objetos cosmológicos.

É claro que eu, como amador, com um telescópio amador de abertura pequena, não poderia encarar o desafio supremo de uma maratona dessa magnitude, então optei pela Mini-Maratona Messier 5K, que alivia bastante para um iniciante, mas não deixa de ser para ele o que a Maratona completa é para o astrônomo experiente, ou seja, uma sensação extremamente grandiosa.

A largada da corrida é dada nas Plêiades, que é a foto que está na na postagem logo abaixo e é a única que pode ser vista a olho nu. Também conhecida como M45 (M significando Messier, o autor do catálogo, e o 45 significa que ele é o quadragésimo quinto objeto no catálogo de Messier). Depois das Plêiades, vêm o aglomerado estelar M38, muito grande e difuso. Em seguida vem M36, M37 e M35, este último que na minha opinião é o mais bonito dos aglomerados, logo atrás das Plêiades, imbatíveis em sua beleza.

M38M38

M36M36

M37M37

M35M35

Agora vêm a nebulosa. Tão excêntrica que me poderia inspirar uma bela poesia… Esta logo abaixo é a chamada Grande Nebulosa de Órion (M42). Uma das mais esplêndidas maravilhas do céu.

M42M42

A Grande Nebulosa de Órion

Infelizmente esta é a única nebulosa da Mini-Maratona, mas ainda depois dela é possível ver mais três aglomerados estelares, M41, M47 e M44.

m41M41

M47M47

M44M44

Ao final da Messier 5K, está o par de galáxias M81 e M82, ambas na constelação da Ursa Maior:

M81M81

M82M82

E pra alcançar a linha de chegada, M65 e M66:

M65M65

M66M66

É claro que fotos mostram todos estes objetos com qualidade superior à que vemos com o telescópio, pois foram tiradas com câmeras com longo tempo de exposição à fraca luz que chega, definindo a imagem com perfeição; bem ao contrário dos nossos olhos, que têm uma sensibilidade muito baixa para a luz que neles entra. No entanto, não há recompensa maior do que encontrar os corpos por si mesmo e vê-los ao vivo, embora vejamos sempre o passado das estrelas… Pois o objeto mais próximo da terra, a estrela alfa-centauri(o), está a 4,2 anos-luz da terra, enquanto que alguns destes objetos aqui mostrados ultrapassam milhões de anos-luz de distância, ou seja, qualquer evento que vemos ocorrer em alfa-centauri aconteceu a 4,2 anos atrás.


Justificativa

15, Setembro, 2007

Estou preparando uma postagem que vai – finalmente – justificar o nome deste blog.

Breve num cinema perto de você.


Conhaque!

4, Setembro, 2007

Essa poesia mostra pra gente que o Machadão curtia uma bebidinha de vez em quando. Era dos meus!

 

Na primeira vez que a li, mais ou menos há uns 10 meses atrás, notei que um dos versos era genial, e quase o usei na minha primeira poesia, que não está aqui no Astrolábia (E nem vai estar, a não ser que seja muito pedida. Desculpe.), nem é sobre bebida. Quase fui obrigado a colocar um par de aspas em um dos meus 18 versos, pelo respeito e devido crédito ao poeta, mas felizmente (ou não) consegui escapar, modificando um pouco a ordem das palavras e inserindo algumas outras. Mas não foi só isso. De algum modo esta poesia me ajudou na inspiração para a minha, então só me senti capaz de produzi-la depois de ler “COGNAC!”. Aí vai:

COGNAC!

VEM, MEU COGNAC, meu licor d’amores!…
É longo o sono teu dentro do frasco;
Do teu ardor a inspiração brotando
O cérebro incendeia!…

Da vida a insipidez gostoso adoças;
Mais val’um trago teu que mil grandezas;
Suave distração – da vida esmalte,
Quem há que te não ame?

Tomado com o café em fresca tarde
Derramas tanto ardor pelas entranhas,
Que o já provecto renascer-lhe sente
Da mocidade o fogo!

Cognac! – inspirador de ledos sonhos,
Excitante licor – de amor ardente!
Uma tua garrafa e o Dom Quixote,
É passatempo amável!

Que poeta que sou com teu auxílio!
Somente um trago teu m’inspira um verso;
O copo cheio o mais sonoro canto;
Todo o frasco um poema!

Machado de Assis